FOREST FM: Envolvimento de jovens na prevenção dos incêndios rurais através de um programa de rádio participativo.

José Pereira Azevedo

Investigador responsável

Investigador Doutorado Integrado

Tipo de projeto:

Nacional

Referência:

PCIF/AGT/0087/2019

Fontes de financiamento:

FCT - Fundação para a Ciência e Tecnologia

Data de início:

01/02/2021

Data (prevista) de conclusão:

31/01/2024

Orçamento total:

284.968,63€

Linha de investigação:

L3 - Determinantes genéticos, ambientais e comportamentais da saúde e da doença

Laboratório de investigação:

Comunicação em saúde

Resumo:

ForestFM é um projeto que tem como objetivo envolver os jovens na promoção de atitudes e comportamentos favoráveis à prevenção de incêndios, fomentando uma vertente colaborativa. Com esse fim, irá produzir e avaliar a eficácia de um programa participativo de rádio no apoio à preparação de comunidades em regiões afetadas por incêndios extremos.

A dimensão catastrófica dos incêndios rurais ocorridos no nosso país em 2017 motiva-nos, como comunidade, a refletir sobre a importância da comunicação do risco para promover a preparação das pessoas das comunidades de modo a reduzir as consequências sociais e económicas. Com origem em fatores diversos e interdependentes, o problema dos incêndios em Portugal é estrutural e tende a agravar-se com as alterações climáticas que criam condições para a maior frequência de incêndios extremos. Como o nível de preparação da população para prevenir e responder a incêndios é baixo e a maior parte dos incêndios têm origem humana, desenvolver conhecimento científico e ações interativas de comunicação de risco é crucial. A mobilização dos jovens na prevenção dos incêndios está identificada como uma área de atuação no Plano Nacional de Gestão Integrada de Fogos Rurais. ForestFM adota uma abordagem inovadora e intergeracional em que se destacam quatro vetores: a) a importância dos jovens (15-18 anos) como “embaixadores” de novas atitudes-colocar os jovens num papel central na recolha de experiências relacionadas com incêndios e na preparação de um programa de comunicação do risco; b) a importância de compreender a perceção das comunidades sobre os incêndios rurais e desenvolver formas adequadas de comunicação para as envolver na minimização dos problemas associados; c) a centralidade das estratégias colaborativas na recolha das experiências vividas de forma a permitir identificar competências e recursos das populações locais: d) a importância da tradução do conhecimento sobre prevenção de incêndios em atitudes e ações efetivas, valorizando a interligação entre a apropriação do conhecimento científico pelas populações e a sua associação ao conhecimento decorrente das vivências no terreno.

A rádio apresenta vantagens face a outros meios de comunicação, já que é acessível ao consumidor (facilmente disponível e sem custos significativos), familiar à generalidade das pessoas e facilitador da comunicação intergeracional. É um media adequado à criação de uma cultura de segurança, mas também à difusão de informação durante os incêndios pois mantém-se em atividade mesmo quando a comunicação via televisão ou telemóvel colapsam devido a falhas de energia ou de cobertura de rede. Também pode ser utilizado na fase de recuperação na difusão de informação, contribuindo para a mobilização social.

O projeto tem a duração de 3 anos e envolve escolas secundárias da região Centro, a Rádio Jornal do Centro e outros stakeholders, como a proteção civil e os bombeiros. Numa 1ª fase, será feito um mapeamento das atitudes e conhecimento das comunidades sobre incêndios rurais através de 3 tarefas: um inquérito aos alunos das escolas Secundárias da Região Centro sobre as suas atitudes e conhecimentos sobre o tema; entrevistas com stakeholders locais; análise de conteúdo da produção noticiosa sobre incêndios. A 2ª fase do projeto envolve a produção e transmissão pelos estudantes de um programa de rádio colaborativa. Englobando várias tarefas de que se destacam: a) organização de sessões de formação nas escolas sobre o uso da rádio comunitária como ferramenta de comunicação para a mudança de atitudes e comportamentos; b) recolha pelos estudantes de histórias sobre as experiências vividas pela população local com os incêndios; c) produção e emissão de um programa de rádio pelos alunos, com o apoio de professores. Pretende-se, desta forma, contribuir para reduzir a vulnerabilidade e aumentar a resiliência das populações rurais, bem como o seu sentido de pertença e de responsabilidade social e pessoal na proteção do património natural e na prevenção dos incêndios. Na 3ª fase do projeto, a experiência será disseminada através da produção de análises e artigos científicos e de manuais educativos sobre rádio participativa e envolvimento comunitário na redução do risco de incêndio e no comportamento durante um incêndio, da organização de conferências e ações de disseminação dos resultados.

A pesquisa será conduzida por uma equipa multidisciplinar, liderada pelo Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto, que tem larga experiência na coordenação de projetos relacionados com a comunicação de Ciência e com educação em contextos formais e informais. A complementaridade de diferentes áreas de especialização na equipa permite evitar possíveis lacunas que surgem com abordagens setoriais incapazes de compreender a complexidade das dinâmicas que envolvem os “incêndios”. A participação no consórcio de uma relevante rádio local e o envolvimento das escolas locais aumentam também o potencial impacto público deste projeto.

Equipa de investigação