06.05.2012 - 30.10.2015

Violência em diferentes idades da vida: frequência, determinantes e consequências em saúde (2012-2015)



Ref
PTDC/SAU-SAP/122904/2010

Financing Instituitions
FCT - Fundação para a Ciência e a Tecnologia

Participating Institutions
ISPUP • Faculdade de Medicina da Universidade do Porto

Summary

O presente projecto pretende contribuir para o conhecimento de um problema que afecta a saúde física e mental da população portuguesa - do fenómeno da violência - através de uma abordagem biopsicossocial aos seus determinantes e consequências. Pretende-se providenciar dados inéditos para um largo período do ciclo de vida da população geral, uma vez que a grande maioria dos estudos utilizam dados de registos criminais ou dos serviços de saúde e apoio à vítima. No entanto, sabe-se que a prevalência da violência nos serviços de urgência, por exemplo, é diferente, na medida em que esta população possui características inerentes, como ferimentos agudos e doença física, que não são partilhadas com a população geral.

 

A violência será conceptualizada como aquela que ocorre entre indivíduos nas famílias e comunidade, podendo assumir diferentes formas (psicológica, física, sexual, financeira, negligente), diferente gravidade e magnitude.Neste contexto, pretendemos caracterizar a violência na população portuguesa, em várias fases do ciclo de vida. Pretendemos descrever os seguintes tipos de violência:- Abuso infantil e negligência: violência contra as crianças, perpetrada pelos pais ou figura parental;- Violência interpessoal entre adolescentes e jovens adultos na comunidade: bullying, participação em lutas físicas ou ser abusado, física, sexual e emocionalmente;- Violência entre parceiros numa relação íntima (IPV – Intimate Partner Violence): violência que ocorre entre parceiros que estão ou estiveram envolvidos numa relação íntima, independentemente do local onde essa violência ocorre;- Violência contra os idosos: violência perpetrada pelos seus cuidadores.

 

De forma a avaliar os efeitos para a saúde dos diferentes tipos de violência nas várias fases do ciclo vital, diferentes amostras da população serão avaliadas com recurso às metodologias mais adequadas. Pretende-se avaliar o abuso infantil e a negligência por meio de instrumentos de medida fiáveis, em contexto escolar e familiar. Constituindo-se como um desafio metodológico, partiremos de uma coorte pré-estabelecida de crianças presentemente com 4 anos de idade e suas mães (Geração XXI) para os quais são conhecidos vários dados de saúde física e mental. Adicionalmente será recolhida informação para crianças em idade escolar (1º Ciclo), complementando uma avaliação que se pretende holística para esta fase do ciclo de vida.

 

A avaliação da violência interpessoal entre adolescentes e jovens adultos será realizada junto de escolas pré-seleccionadas, no próprio contexto escolar, sempre com recurso aos instrumentos identificados como mais adequados, por entrevistadores especialmente treinados para a sensibilidade que esta população e tema exigem.

 

Partindo da base Europeia fornecida pelos projectos DOVE (um projecto da União Europeia, que visa avaliar a prevalência e as consequências para a saúde da violência entre parceiros numa relação íntima em amostras da população geral de oito estados membros) e ABUEL (um projecto da União Europeia que visa avaliar a prevalência da violência contra os idosos e as consequências para a saúde em amostras da população com idades compreendidas entre os 60-84 anos de 7 estados membros), ambos financiados pela EAHC (Executive Agency for Health and Consumers), pretendemos complementar o estudo das consequências da violência nestas populações, adoptando um estilo de investigação participativa: através do contacto com organizações que diariamente trabalham com população adulta vítima de violência e com agressores, pretendemos recolher e comparar características de indivíduos identificados por estas instituições com a população geral avaliada. Especificamente no que concerne a dados sócio demográficos, impactos na saúde física e mental, qualidade de vida, sintomatologia depressiva, custos directos de saúde e de utilização dos serviços, estilos de vida (consumo de substâncias lícitas e ilícitas associados).

 

Também a recolha desta informação junto de idosos institucionalizados (em amostras de organizações previamente contactadas) permitirá uma abordagem comparativa e completa ao fenómeno da violência contra o idoso. Este projecto de investigação diz respeito ao impacto social e prático da violência na saúde. Através de uma equipa dotada de competências interdisciplinares (1 epidemiologista, 1 socióloga, 1 psicólogo e 1 profissional de saúde pública) este estudo poderá revelar-se basilar para a integração de várias perspectivas relacionadas com a violência. Finalmente, é também objectivo deste projecto produzir documentos fundamentais, baseados na evidência, que poderão ser utilizados por outros investigadores, políticos, técnicos sociais e de saúde, aumentando a segurança dos cidadãos e fortificando o conhecimento e consciencialização sobre este problema.


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