NeurodegCoV19: Complicações neurodegenerativas pós COVID-19

Vítor Tedim Cruz

Investigador responsável

Investigador Doutorado Integrado

Tipo de projeto:

Nacional

Referência:

PTDC/SAU-EPI/6275/2020

Fontes de financiamento:

FCT - Fundação para a Ciência e Tecnologia

Data de início:

01/03/2021

Data (prevista) de conclusão:

29/02/2024

Orçamento total:

249.059,88€

Linha de investigação:

L4 - Resultados da investigação centrada nos pacientes e na população

Laboratório de investigação:

Défice cognitivo associado a doenças do sistema nervoso

Resumo:

A pandemia COVID-19, causada pelo novo corona vírus SARS-CoV-2, foi responsável, até abril de 2020, por quase 2,5 milhões de casos confirmados e mais de 150.000 mortes em 210 países de todo o mundo. A doença pode causar pneumonia e insuficiência respiratória aguda. No entanto, também foram relatados sintomas neurológicos, nomeadamente anosmia e ageusia, mesmo sem congestão nasal ou rinorreia, sugerindo o envolvimento das vias nervosas olfatória e gustatória.

As lesões do tronco cerebral e da via olfatória podem causar perturbações do sono e insuficiência respiratória. Há também evidência de neurotropismo do SARS-CoV-2, a partir de análise histológica do tecido cerebral e da presença do genoma do vírus no líquido cefalorraquidiano de um caso encefalite associado com COVID-19. As infeções víricas podem causar lesões cerebrais agudas e há evidência da associação de infeções virais com doenças neurodegenerativas. A infeção pelo vírus SARS-CoV-2 tem o potencial de causar, ou desencadear, doenças neurodegenerativas como demência e doença de Parkinson, que podem vir a manifestar-se anos depois. O declínio cognitivo precede a demência e a anosmia e os distúrbios do sono são pródromos da doença de Parkinson. Este projeto tem como objetivo avaliar a ocorrência de sintomas neurológicos, nomeadamente, a anosmia, a ageusia, as alterações de sono e o declínio cognitivo, assim como a doença de Parkinson e demência na população coberta pela Unidade Local de Saúde de Matosinhos e pelo Hospital São Sebastião, em Santa Maria da Feira, e comparar a incidência do declínio cognitivo nos sobreviventes da COVID-19 e nas pessoas sem evidência de infeção prévia pela SARS-CoV-2 ao longo de dois anos, desde janeiro de 2020.

Os casos ligeiros, moderados e graves de COVID-19, recrutados entre os doentes seguidos em ambulatório e hospitalizados, serão comparados com indivíduos da população de Matosinhos e indivíduos hospitalizados por outros motivos, emparelhados por idade, sexo, gravidade da doença, hospital, serviço clínico e duração da hospitalização. Os participantes serão seguidos durante dois anos com ferramentas adaptadas à monitorização remota, para aumentar a viabilidade das avaliações num contexto de distanciamento físico para minimização do risco de infeção, que se prevê venha a permanecer nos próximos meses ou anos. A equipa de investigação desenvolveu e validou, em trabalhos anteriores, um instrumento para monitorização cognitiva on-line, que permite avaliações cognitiva frequentes, com efeitos de aprendizagem reduzidos. Esta ferramenta já foi utilizada noutras coortes seguidos pela equipa de investigação e demonstrou uma elevada capacidade discriminativa. Todos os casos positivos detetados pelo rastreio serão avaliados por neurologistas, de preferência por videoconferência, ou de acordo com os procedimentos em vigor no momento nos respetivos hospitais de referência.

Os nossos resultados fornecerão estimativas robustas da incidência de manifestações prodrómicas de doenças neurodegenerativas relacionadas com a infeção pelo SARS-CoV-2 e da ocorrência de doença de Parkinson, défice cognitivo ligeiro e demência entre os sobreviventes da COVID-19 com infeção ligeira, moderada e grave pelo SARS-CoV-2. O desenho longitudinal com uma monitorização de dois anos permitirá avaliar a evolução temporal destas complicações e os potenciais efeitos neurológicos a longo prazo da infeção pelo SARSCoV-2. A equipa de investigação tem uma vasta experiência na realização de estudos prospetivos longitudinais para avaliar o declínio cognitivo e inclui epidemiologistas e médicos especialistas em doenças neurodegenerativas, bem como profissionais de saúde pública estreitamente envolvidos na gestão da epidemia da COVID-19. O aperfeiçoamento da metodologia de monitorização à distância será realizado num projeto a terminar em 2020.

Equipa de investigação